Hoje pela manhã fui surpreendido por um post muito interessante e que não tinha como não ser replicado aqui. Trata-se de um desabafo de Andreas Kisser, lendário guitarrista do Sepultura sobre a postura retrógrada e infantil de alguns fãs que tentam controlar e limitar a carreira de seus ídolos.
Já falei sobre este assunto algumas vezes, mas Andreas, ao tratar do assunto com conhecimetno de causa, expõe o universo de possibilidades quando surgem as parcerias musicais.
Segue o texto e o link para a postagem original:
http://colunistas.yahoo.net/posts/5906.html
Por Andreas Kisser . 23.10.10 - 12h26
Nesta última quarta-feira (20), a MTV Brasil fez uma grande festa no Rio de Janeiro para comemorar seus 20 anos de história, que é muita rica e de muito sucesso. Para a festa, foi preparado um palco com duas baterias, vários amplificadores e microfones, que esperavam uma seleção de músicos que fizeram parte destes 20 anos, para uma jam histórica. Passaram pelo palco, entre outros, Jorge Benjor, Caetano Veloso, Skank, Paralamas, Branco Mello, Pitty, Otto, Frejat, Davi Moraes, Maria Gadu e um show exclusivo, fantástico, do Planet Hemp, reagrupado especialmente para a ocasião. Foi uma grande festa, fui convidado para tocar alguns temas e tive o privilégio de dividir o palco com estes monstros da música brasileira.
Como muita gente sabe, eu toco com todo mundo, não importa o estilo, eu gosto da experiência e do desafio de colocar a minha guitarra em outros “planetas” da música. Ao contrário do que muitos imaginam, estes encontros musicais geralmente rolam naturalmente, fruto do encontro casuais nos backstages da vida, e não somente mediante pagamento de suntosos cachês. As coisas acontecem trocando ideias, conversando e tocando, tudo muito saudável. Mas, fazendo isso, eu recebo muitas críticas, principalmente sendo um músico do mundo metal. A maioria das críticas são positivas, mas muitas são negativas e até certo ponto bem agressivas.
Só pra citar o exemplo da festa da MTV e a sua repercussão, eu senti a resposta, ou feedback, através do meu Twitter (@andreaskisser) e como disse, muitas foram bem positivas, curtindo as misturas e entendendo bem a proposta da celebração; outras nem tanto. Não pretento agradar a todo mundo e nem é a minha intenção que todos pensem da mesma forma que eu, mas as coisas chegam num ponto em que sinto que estou até insultando alguém com as parcerias inusitadas que faço. Por que isso? Eu realmente não entendo este sentimento das pessoas que tentam limitar a minha liberdade de expressão, dentro e fora da música, me julgando e me agredindo verbalmente só porque não gosta ou não entende a mistura. O que seria da música se não houvessem as parcerias, as misturas, os desafios? Qual o limite que o músico tem para agir e crescer? O que realmente significa “estilo musical”? Este tipo de conceito limita a interação entre os músicos, cria esteriótipos e afasta as pessoas umas das outras criando grupinhos que se acham melhores do que o resto do mundo. Para mim, isso sempre foi ridículo, na música não podem existir fronteiras, música não é política, ela é livre.
Cito aqui alguns exemplos – que também me inspiraram na maneria de ser e agir como músico -, e são conhecidos e admirados por aqueles que realmente respeitam a música:
O grande tenor Luciano Pavarotti foi um mestre no que diz respeito à quebra de preconceitos. Vindo do mundo erudito, que também é super radical, ele abriu o seu palco para outros estilos e juntou a sua voz a de vários artistas ditos populares, inclusive fazendo parcerias com nomes da música brasileira, como Roberto Carlos e Maria Bethânia, além de U2, Queen, Bon Jovi, Lou Reed, Elton John, Spice Girls, entre tantos outros artistas de muitos “estilos” diferentes. Se Luciano Pavarotti tivesse cedido aos limites da tradição clássica e o radicalismo de alguns maestros, que se sentem donos da música, ele nunca teria feito estas experiências, foi rebelde, teve um espírito mais rock and roll!
Phil Collins, lendário baterista e vocalista do Genesis, foi o grande nome do festival Live Aid, em 1985. O festival foi feito para arrecadar fundos para a luta contra a fome na África e artistas do mundo inteiro se juntaram, em partes diferentes do planeta, para tocar e atrair a atenção das pessoas para o problema. Phil Collins fez o seu show e tocou com todo mundo, inclusive viajando da Europa para os Estados Unidos paara tocar. Se juntou a Led Zeppelin, Elton John, Sting e Eric Clapton, só pra citar alguns. Mostrou muita vontade e amor no que faz, inspirou a todos, quebrou barreiras e preconceitos, fazendo da música o laço mais forte para a união das pessoas em torno de um problema tão sério e delicado, que aliás até hoje perdura a fome em várias regiões do mundo, apesar dos esforços.
Mike Patton, o incrível vocalista e performer do Faith no More, é um viciado em projetos. Além da banda que projetou o seu nome no mundo da música, ele fez vários outros projetos que mostraram toda a versatilidade deste gênio. O Mr. Bungle, Tomahawk, Fantomas, Peeping Tom e mais recentemente o Mondo Cane, que é um projeto em que ele canta somente clássicos da música italiana acompanahdo por uma orquestra, são alguns das maluquices maravilhosas que Patton produz. Ele também gravou com Bebel Gilberto e Björk, e trabalhou com o Sepultura nos álbuns Roots e Sepulnation.
Bom, exemplos é o que não faltam para mostrar a liberdade de expressão que pode ser vivida dentro da música, da diversidade de linguagens que ela possibilta e do poder de união que ela tem. O mínimo que pode ser feito é respeitar esta condição e explorá-la ao máximo. Ficar preso a barreiras e limitar o seu potencial é ignorância pura e só leva a estagnação, não estimula a evolução, tão natural e nescessária na arte. Não julgue somente, destruir é fácil, já a construção é outra história. Participe, aja, toque!
Abraço, play it loud!
Andreas Kisser
Um blog criado para compartilhar experiências na carreira de músico e ajudar quem está entrando na profissão. Dicas, cases "de sucesso ou não" e comparações com outras profissões serão as formas utilizadas para debater temas ligados à profissão de músico.
Mostrando postagens com marcador Carreira Musical. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carreira Musical. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
Saiba mais sobre a nova lei de direito autoral
A proposta de revisão da lei de direito autoral no Brasil segue uma tendência mundial: não é possível, no mundo atual, manter certas idéias concebidas numa época pré-internet, pré-digital.
O Ministério da Cultura (MinC) liberou ontem para consulta pública o texto que será base da nova lei. O texto fica aberto por 45 dias (de 14/06 a 28/07/2010), período em que recebe propostas e contribuições. Depois, uma equipe do ministério irá reformulá-lo. O processo deverá se encerrar no final deste ano.
Segue um resumo das novas propostas:
O que muda para o Autor:
Maior controle da própria obra: o novo texto torna explícito o conceito de licença (autorização para uso sem transferência de titularidade). No caso dos contratos de edição, necessários para exploração comercial das obras, não serão admitidas cláusulas de cessão de direitos. A cessão de direitos terá de ser feita em contrato específico para isso.
Reconhecimento de autoria: arranjadores e orquestradores, na música, e diretores, roteiristas e compositores da trilha sonora original, nas obras audiovisuais, passam a ser reconhecidos de forma mais clara como autores das obras.
Obra encomendada: o criador poderá recobrar o direito em certos casos; terá garantia de participação em usos futuros não previstos; e poderá publicá-la em obras completas.
Prazo de proteção das obras: continua de 70 anos. Nas obras coletivas, será de 70 anos a partir de sua publicação.
Supervisão das entidades de gestão coletiva: associações de todas as categorias e o escritório central de arrecadação e distribuição de direitos de execução musical devem buscar eficiência operacional, por meio da redução dos custos administrativos e dos prazos de distribuição dos valores aos titulares de direitos; dar publicidade de todos os atos da instituição, particularmente os de arrecadação e distribuição. Elas terão ainda de manter atualizados e disponíveis o relatório anual de suas atividades; o balanço anual completo, com os valores globais recebidos e repassados; e o relatório anual de auditoria externa de suas contas.
Instância para resolução de conflitos: será criada uma instância voluntária de resolução de conflitos no âmbito do Ministério da Cultura. Hoje, conflitos relacionados aos direitos autorais só podem ser resolvidos na justiça comum.
O que muda para os cidadãos:
Acesso à cultura e ao conhecimento: haverá novas permissões para uso de obras sem necessidade de pagamento ou autorização. Entre elas: para fins didáticos; cineclubes passam a ter permissão para exibirem filmes quando não haja cobrança de ingressos; adaptar e reproduzir, sem finalidade comercial, obras em formato acessível para pessoas com deficiência.
Reprodução de obra esgotada: está permitida a reprodução, sem finalidade comercial, das obras com a última publicação esgotada e também que não têm estoque disponível para venda.
Reprografia de livros: haverá incentivo para autores e editoras disponibilizarem suas obras para reprodução por serviços reprográficos comerciais, como as copiadoras das universidades. Cria-se para isso a exigência de que haja o licenciamento das obras com a garantia de pagamento de uma retribuição a autores e editores.
Cópias para usos privados: autorizadas as cópias para utilização individual e não comercial das obras. Por exemplo, as cópias de segurança (backup); as feitas para tornar o conteúdo perceptível em outro tipo de equipamento, isto é, para fins de portabilidade e interoperabilidade de arquivos digitais. Medidas tecnológicas de proteção (dispositivos que impedem cópias) não poderão bloquear esses atos.
Segurança para o patrimônio histórico e cultural: instituições que cuidam desse patrimônio poderão fazer reproduções necessárias à conservação, preservação e arquivamento de seu acervo e permitir o acesso a essas obras em suas redes internas de informática. Não se trata de colocar as obras disponíveis na internet para acesso livre.
O que muda para os investidores:
Punição para quem paga jabá: o pagamento a rádios e televisões para que aumentem a execução de certas músicas será alvo de punição, caracterizada como infração à ordem econômica e ao direito de acesso à diversidade cultural.
Remuneração aos produtores de obras audiovisuais: produtores de obras audiovisuais passam a ter direito de remuneração pela exibição em cinemas e emissoras de televisões.
Permissão para explorar obras de acesso restrito: passam a ter a possibilidade de pedir uma autorização para comercializar obras que estejam inacessíveis ou com acesso restrito. Para isso, devem solicitar ao Estado a licença não voluntária da obra.
Estímulo a novos modelos de negócios no ambiente digital: prevê claramente direitos em redes digitais, definindo a modalidade de uso interativo de obras e a quem cabe sua titularidade. As mudanças no texto darão mais segurança para que os titulares se organizem para exercerem seus direitos e melhorarão a relação entre autores, usuários, consumidores e investidores. Dessa forma, essa revisão já coloca o funcionamento da economia digital no Brasil no rumo certo e prepara as bases para uma discussão mais ampla, que deverá ser feita nos próximos anos no mundo todo.
Com base nas contribuições recebidas, o governo federal consolidará o texto final do anteprojeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional ainda em 2010.
O texto na íntegra pode ser encontrado no site do MinC: www.cultura.gov.br. Para participar da consulta pública, basta acessar o site www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/consulta.
* As informações são do Ministério da Cultura.
O Ministério da Cultura (MinC) liberou ontem para consulta pública o texto que será base da nova lei. O texto fica aberto por 45 dias (de 14/06 a 28/07/2010), período em que recebe propostas e contribuições. Depois, uma equipe do ministério irá reformulá-lo. O processo deverá se encerrar no final deste ano.
Segue um resumo das novas propostas:
O que muda para o Autor:
Maior controle da própria obra: o novo texto torna explícito o conceito de licença (autorização para uso sem transferência de titularidade). No caso dos contratos de edição, necessários para exploração comercial das obras, não serão admitidas cláusulas de cessão de direitos. A cessão de direitos terá de ser feita em contrato específico para isso.
Reconhecimento de autoria: arranjadores e orquestradores, na música, e diretores, roteiristas e compositores da trilha sonora original, nas obras audiovisuais, passam a ser reconhecidos de forma mais clara como autores das obras.
Obra encomendada: o criador poderá recobrar o direito em certos casos; terá garantia de participação em usos futuros não previstos; e poderá publicá-la em obras completas.
Prazo de proteção das obras: continua de 70 anos. Nas obras coletivas, será de 70 anos a partir de sua publicação.
Supervisão das entidades de gestão coletiva: associações de todas as categorias e o escritório central de arrecadação e distribuição de direitos de execução musical devem buscar eficiência operacional, por meio da redução dos custos administrativos e dos prazos de distribuição dos valores aos titulares de direitos; dar publicidade de todos os atos da instituição, particularmente os de arrecadação e distribuição. Elas terão ainda de manter atualizados e disponíveis o relatório anual de suas atividades; o balanço anual completo, com os valores globais recebidos e repassados; e o relatório anual de auditoria externa de suas contas.
Instância para resolução de conflitos: será criada uma instância voluntária de resolução de conflitos no âmbito do Ministério da Cultura. Hoje, conflitos relacionados aos direitos autorais só podem ser resolvidos na justiça comum.
O que muda para os cidadãos:
Acesso à cultura e ao conhecimento: haverá novas permissões para uso de obras sem necessidade de pagamento ou autorização. Entre elas: para fins didáticos; cineclubes passam a ter permissão para exibirem filmes quando não haja cobrança de ingressos; adaptar e reproduzir, sem finalidade comercial, obras em formato acessível para pessoas com deficiência.
Reprodução de obra esgotada: está permitida a reprodução, sem finalidade comercial, das obras com a última publicação esgotada e também que não têm estoque disponível para venda.
Reprografia de livros: haverá incentivo para autores e editoras disponibilizarem suas obras para reprodução por serviços reprográficos comerciais, como as copiadoras das universidades. Cria-se para isso a exigência de que haja o licenciamento das obras com a garantia de pagamento de uma retribuição a autores e editores.
Cópias para usos privados: autorizadas as cópias para utilização individual e não comercial das obras. Por exemplo, as cópias de segurança (backup); as feitas para tornar o conteúdo perceptível em outro tipo de equipamento, isto é, para fins de portabilidade e interoperabilidade de arquivos digitais. Medidas tecnológicas de proteção (dispositivos que impedem cópias) não poderão bloquear esses atos.
Segurança para o patrimônio histórico e cultural: instituições que cuidam desse patrimônio poderão fazer reproduções necessárias à conservação, preservação e arquivamento de seu acervo e permitir o acesso a essas obras em suas redes internas de informática. Não se trata de colocar as obras disponíveis na internet para acesso livre.
O que muda para os investidores:
Punição para quem paga jabá: o pagamento a rádios e televisões para que aumentem a execução de certas músicas será alvo de punição, caracterizada como infração à ordem econômica e ao direito de acesso à diversidade cultural.
Remuneração aos produtores de obras audiovisuais: produtores de obras audiovisuais passam a ter direito de remuneração pela exibição em cinemas e emissoras de televisões.
Permissão para explorar obras de acesso restrito: passam a ter a possibilidade de pedir uma autorização para comercializar obras que estejam inacessíveis ou com acesso restrito. Para isso, devem solicitar ao Estado a licença não voluntária da obra.
Estímulo a novos modelos de negócios no ambiente digital: prevê claramente direitos em redes digitais, definindo a modalidade de uso interativo de obras e a quem cabe sua titularidade. As mudanças no texto darão mais segurança para que os titulares se organizem para exercerem seus direitos e melhorarão a relação entre autores, usuários, consumidores e investidores. Dessa forma, essa revisão já coloca o funcionamento da economia digital no Brasil no rumo certo e prepara as bases para uma discussão mais ampla, que deverá ser feita nos próximos anos no mundo todo.
Com base nas contribuições recebidas, o governo federal consolidará o texto final do anteprojeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional ainda em 2010.
O texto na íntegra pode ser encontrado no site do MinC: www.cultura.gov.br. Para participar da consulta pública, basta acessar o site www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/consulta.
* As informações são do Ministério da Cultura.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
MPF pede que Supremo acabe com regulamentação da profissão de músico
A procuradora-geral da República interina, Deborah Duprat, propôs uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para acabar com a regulamentação da profissão de músico. Duprat, que ocupa o cargo até a posse do novo procurador-geral, Roberto Gurgel, pretende que o Supremo considere incompatível com a Constituição a Lei 3.857/60, que criou a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e estabeleceu requisitos para o exercício da atividade.
A argumentação utilizada na ADPF (Arguição de descumprimento de preceito fundamental) 183 é semelhante a que levou ao fim da exigência de diploma para os jornalistas. Depois dessa decisão, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, afirmou que outras profissões deveriam ser desregulamentadas.
Para a procuradora, tanto as restrições profissionais, como a fiscalização da atividade com poder de polícia são incompatíveis com a liberdade de expressão artística e com a liberdade profissional.
“Numa democracia constitucional, não cabe ao Estado policiar a arte, nem existe justificativa legítima que ampare a imposição de quaisquer requisitos para o desempenho da profissão de músico”, afirma Deborah Duprat.
A procuradora ressalta que a manifestação artística é um dos campos mais relevantes da atividade humana, em especial a música, e ataca a exigência de filiação à OMB. “Da mesma maneira, é indiscutível a ofensa à liberdade de expressão consubstanciada na atribuição a orgão estatal do poder de disciplinar, fiscalizar e punir pessoas em razão do exercício de sua atividade artística”, observa.
Ela acrescenta ainda que a profissão de músico não pode ser regulamentada, pois não está entre as quais a Constituição Federal autorizou o legislador a estabelecer pré-qualificações —outro argumento que sustentou a queda do diploma para jornalistas.
“Se um profissional for um mau músico, nenhum dano significativo causará à sociedade. Na pior das hipóteses, as pessoas que o ouvirem passarão alguns momentos desagradáveis. Além do que, em matéria de arte, o que é péssimo para alguns pode ser excelente para outros, não cabendo ao Estado imiscuir-se neste seara, convertendo-se no árbitro autoritário dos gostos do público”, adverte.
A procuradora-geral afirma também que a escolha e o exercício da profissão representam uma garantia contra a intromissão indevida dos poderes públicos num campo reservado à autonomia existencial do indivíduo. No entanto, ressalvou que esse direito não é absoluto, já que algumas profissões lidam com questões sensíveis da coletividade e demandam conhecimentos técnicos —o que não é o caso dos músicos.
Os dispositivos questionados pela ADPF são os artigos 1º (parcial); 16; 17, caput (parcial) e parágrafos 2º e 3º; 18; 19; 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 37; 38; 39; 40; 49, caput; 50; 54, alínea b (parcial); e 55 (parcial) da Lei n° 3857/60.
A procuradora-geral pede a suspensão desses dispositivos, até o julgamento final da ação, porque “essa normas criam inadmissíveis embaraços aos músicos profissionais- sobretudo para os mais pobres, sem formação musical formal, e que muitas vezes não dispõem dos recursos para pagar sua anuidade – dificultando o exercício a sua profissão e cerceando o seu direito à livre expressão artística. E privam toda a sociedade do acesso à obra destes artistas”.
Com informações da PGR.
A argumentação utilizada na ADPF (Arguição de descumprimento de preceito fundamental) 183 é semelhante a que levou ao fim da exigência de diploma para os jornalistas. Depois dessa decisão, o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, afirmou que outras profissões deveriam ser desregulamentadas.
Para a procuradora, tanto as restrições profissionais, como a fiscalização da atividade com poder de polícia são incompatíveis com a liberdade de expressão artística e com a liberdade profissional.
“Numa democracia constitucional, não cabe ao Estado policiar a arte, nem existe justificativa legítima que ampare a imposição de quaisquer requisitos para o desempenho da profissão de músico”, afirma Deborah Duprat.
A procuradora ressalta que a manifestação artística é um dos campos mais relevantes da atividade humana, em especial a música, e ataca a exigência de filiação à OMB. “Da mesma maneira, é indiscutível a ofensa à liberdade de expressão consubstanciada na atribuição a orgão estatal do poder de disciplinar, fiscalizar e punir pessoas em razão do exercício de sua atividade artística”, observa.
Ela acrescenta ainda que a profissão de músico não pode ser regulamentada, pois não está entre as quais a Constituição Federal autorizou o legislador a estabelecer pré-qualificações —outro argumento que sustentou a queda do diploma para jornalistas.
“Se um profissional for um mau músico, nenhum dano significativo causará à sociedade. Na pior das hipóteses, as pessoas que o ouvirem passarão alguns momentos desagradáveis. Além do que, em matéria de arte, o que é péssimo para alguns pode ser excelente para outros, não cabendo ao Estado imiscuir-se neste seara, convertendo-se no árbitro autoritário dos gostos do público”, adverte.
A procuradora-geral afirma também que a escolha e o exercício da profissão representam uma garantia contra a intromissão indevida dos poderes públicos num campo reservado à autonomia existencial do indivíduo. No entanto, ressalvou que esse direito não é absoluto, já que algumas profissões lidam com questões sensíveis da coletividade e demandam conhecimentos técnicos —o que não é o caso dos músicos.
Os dispositivos questionados pela ADPF são os artigos 1º (parcial); 16; 17, caput (parcial) e parágrafos 2º e 3º; 18; 19; 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 37; 38; 39; 40; 49, caput; 50; 54, alínea b (parcial); e 55 (parcial) da Lei n° 3857/60.
A procuradora-geral pede a suspensão desses dispositivos, até o julgamento final da ação, porque “essa normas criam inadmissíveis embaraços aos músicos profissionais- sobretudo para os mais pobres, sem formação musical formal, e que muitas vezes não dispõem dos recursos para pagar sua anuidade – dificultando o exercício a sua profissão e cerceando o seu direito à livre expressão artística. E privam toda a sociedade do acesso à obra destes artistas”.
Com informações da PGR.
Marcadores:
Carreira Musical,
emprego formal,
Mercado Musical
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O número de músicos profissionais explode no Brasil. A dependência do Estado, também.
No país em que caixinha de fósforo virou instrumento de percussão, é de se esperar que os músicos sempre tenham sido muitos. E bons.
Mas um fenômeno tem chamado a atenção. Se, em 1992, havia 50 mil músicos profissionais no Brasil, em 2006 esse número saltou para 118 mil.
Outros dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) atestam o avanço dessa profissão que, a despeito do grande número de adeptos, é exercida em condições precárias e depende muito do apoio estatal.
Para se ter uma ideia:
- Entre 1992 e 2001, o número de pessoas ocupadas cresceu 16% no Brasil. No setor de artes espetáculos, o salto foi de 67%. Metade desse universo é representado por músicos.
- No ano 2000, houve 894 matrículas em cursos superiores de música. Em 2005, foram 5,2 mil matrículas.
- Apenas 10% dos músicos têm emprego formal. Quase todos os que têm vínculo empregatício trabalham em orquestras ou são professores.
- A Cooperativa de Música registrava, em 2003, 26 cooperados. Hoje, são mais de mil.
- Enquanto apenas 8% da população brasileira tem curso superior completo, entre os músico esse índice salta para 63%.
- 82% dos músicos são do sexo masculino. No caso das mulheres, o instrumento é, quase sempre, a voz.
Esses dados foram apresentados ontem à tarde pela socióloga Liliana Segnini, professora da Unicamp, no V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), que acontece até amanhã em Salvador.
Para realizar o trabalho, ela debruçou-se sobre os participantes do programa Rumos, do Itaú Cultural, um dos mais importantes do País – ao lado do Prêmio Visa e do Projeto Pixinguinha.
Foram ouvidos 39 artistas selecionados num universo de 2,2 mil inscritos.
A ideia era descobrir em que momento a música deixa de ser hobby para virar profissão e de que maneira a sociedade brasileira encara esse ofício.
Liliana tentou recuperar o pensamento do sociólogo alemão Norbert Elias que, ao falar de Mozart, procurou entender quais eram as pressões sociais para que um músico trabalhasse na corte.
Uma frase escrita por Elias mantém-se intacta:
- Um músico quer ser socialmente reconhecido como artista e ser, ao mesmo tempo, capaz de alimentar sua família.
Liliana, nas entrevistas, percebeu que a instabilidade faz parte da rotina:
- Predominam as formas instáveis e intermitentes. Muitos, mesmo sendo músicos profissionais, exercem outras atividades, como contador, diagramador de jornal, artista visual etc. Havia até mesmo um trabalhador agrícola, que faz música de raiz.
Muitos citam a necessidade constante de “fazer um cachê”, que significa trabalhar na noite.
Trata-se de uma atividade instável, mal remunerada e, em certa medida, frustrante, já que, num bar, o público está mais interessado em beber e conversar do que em ouvi-los.
Também foram recorrentes, nas entrevistas, referências a sofrimento psíquico e casos de depressão.
A pesquisadora descobriu, por exemplo, a síndrome do músico estressado. Nesses casos, o cérebro, simplesmente, deixa de mandar estímulos para os dedos e a execução da partitura torna-se impossível.
Más condições de trabalho à parte, a pesquisa com os selecionados do Rumos revelou que, para todos eles, a internet é um veículo transformador, uma foram de libertação da libertação da engrenagem industrial.
Liliana espantou-se, por exemplo, com o grupo Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, um fenômeno nascido da internet:
- No dia do show, havia uma fila de dois quarteirões no Itaú Cultural, na avenida Paulista. O público sabia deles. Nós, pesquisadores, é que éramos os alienados.
Apesar dos casos de sucesso, a socióloga é menos empolgada com a nova realidade do que os músicos com quem conversou:
- Se eu me ativer à fala deles, direi que as gravadoras estão acabando e que todos poderão criar, produzir e distribuir por meio da internet. Mas, em tantos anos de pesquisa social, não canso de me espantar com o poder de reconfiguração do capital.
Curiosamente, na mesma medida em que miram o mercado, muitos músicos são absolutamente dependentes dos editais públicos e dos recursos vindos das leis de incentivo fiscal.
Para Liliana, a exemplo do que aconteceu na década de 1930, o Estado brasileiro passou a fomentar a formação e a produção musical:
- Levanto a hipótese de que o Estado tem um papel fundamental nesse novo cenário da música. Seja pelas leis de incentivo, seja pela criação de escolas e universidade de músicas, voltamos a ver um Estado presente.
E, sem dúvida, há que se considerar também o que o norte-americano Chris Anderson, editor da revista Wired, chamou de fenômeno da “cauda longa”.
Na era da internet, a oferta aumentou de tal modo que, cada vez mais, a cultura se desenha em forma de nichos.
No lugar dos grandes hits embalados pela indústria, surgiram, nestes anos 2000, os “micro-hits”, os pequenos fenômenos que conseguiram encontrar o seu público.
Não será essa nova realidade um outro estímulo à (tentativa de) profissionalização?
Matéria publicada no site Terra no dia 29 de maio.
Marcadores:
Carreira Musical,
cooperativa de música,
emprego formal,
Internet,
Mercado Musical
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Alanis Morissette diz que indústria do entretenimento "frivolizou" talento
Como eu já citei algumas vezes nesse blog e é de domínio público, por mais que esta atitude da indústria da música seja algo questionável do ponto de vista ético, ainda temos que levar em consideração que a imagem é muito importante para a venda de um produto. E um artista pode não aceitar, mas sua imagem perante esta indústria, tem o peso de sua exposição aos fãs e à mídia.
Não estou concordando com isso, mas não vou ser hipócrita ou enganar quem lê este blog que a imagem muitas vezes é vendida antes do talento. Todos sabemos que o talento é que determina o tempo de vida do artista na mídia, mas uma boa imagem ajuda e muito na incursão deste artista no meio artístico. Facilita o acesso às gravadoras, arrebata fãs, estampa capas de revistas... enfim, é a embalagem!
Mas antes da notícia sobre a Alanis eu gostaria de deixar minha opinião pessoal de que nada, nada substitui o talento!
--------------------------------------------------------------------------------
México, 15 jan (EFE).- A cantora canadense Alanis Morissette afirmou que sua popularidade caiu porque a indústria do entretenimento e a imprensa "frivolizaram" os padrões para talento, publicou hoje o jornal "Reforma".
Em entrevista ao periódico mexicano, a artista, de 34 anos, que fará shows em 11 estados brasileiros, ressaltou que "o movimento musical e de atuação focou demais no físico", porque "a imprensa frivolizou os artistas".
A cantora, que no ano passado lançou o disco "Flavors of Entanglement", disse que "há muita pressão" no meio musical e artístico, "por isso é que muita gente vive atada à toxina botulínica, porque não quer assumir a idade".
"Eu não entro nesses padrões; me considero bonita, mas sou uma mulher real. Quando os diretores de cinema me buscam para um papel, me veem como uma mulher de carne e osso, não como um estereótipo da máxima beleza hollywoodiana", afirmou.
O canadense lamentou que a indústria do entretenimento não perdoe o passar do tempo e que a uma mulher mais velha não tenha "mais trabalho para expor sua produção ou para conseguir um papel" do que uma jovem.
O mesmo acontece com a forma física dos famosos. Os mais magros são recompensados por produtores de música e cinema, acrescentou.
"Se uma pessoa é magra, é sinônimo de êxito, o que não me parece justo", ressaltou.
Morissette reconhece que ela mesma perdeu peso, mas explica que se deve a um regime alimentício vegetariano que segue há alguns anos.
---------------------------------------------------------------------------------
Até a próxima!
Não estou concordando com isso, mas não vou ser hipócrita ou enganar quem lê este blog que a imagem muitas vezes é vendida antes do talento. Todos sabemos que o talento é que determina o tempo de vida do artista na mídia, mas uma boa imagem ajuda e muito na incursão deste artista no meio artístico. Facilita o acesso às gravadoras, arrebata fãs, estampa capas de revistas... enfim, é a embalagem!
Mas antes da notícia sobre a Alanis eu gostaria de deixar minha opinião pessoal de que nada, nada substitui o talento!
--------------------------------------------------------------------------------
México, 15 jan (EFE).- A cantora canadense Alanis Morissette afirmou que sua popularidade caiu porque a indústria do entretenimento e a imprensa "frivolizaram" os padrões para talento, publicou hoje o jornal "Reforma".
Em entrevista ao periódico mexicano, a artista, de 34 anos, que fará shows em 11 estados brasileiros, ressaltou que "o movimento musical e de atuação focou demais no físico", porque "a imprensa frivolizou os artistas".
A cantora, que no ano passado lançou o disco "Flavors of Entanglement", disse que "há muita pressão" no meio musical e artístico, "por isso é que muita gente vive atada à toxina botulínica, porque não quer assumir a idade".
"Eu não entro nesses padrões; me considero bonita, mas sou uma mulher real. Quando os diretores de cinema me buscam para um papel, me veem como uma mulher de carne e osso, não como um estereótipo da máxima beleza hollywoodiana", afirmou.
O canadense lamentou que a indústria do entretenimento não perdoe o passar do tempo e que a uma mulher mais velha não tenha "mais trabalho para expor sua produção ou para conseguir um papel" do que uma jovem.
O mesmo acontece com a forma física dos famosos. Os mais magros são recompensados por produtores de música e cinema, acrescentou.
"Se uma pessoa é magra, é sinônimo de êxito, o que não me parece justo", ressaltou.
Morissette reconhece que ela mesma perdeu peso, mas explica que se deve a um regime alimentício vegetariano que segue há alguns anos.
---------------------------------------------------------------------------------
Até a próxima!
Marcadores:
Carreira Musical,
Imagem,
Marketing Pessoal,
Sucesso,
Talento
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Ensaio Zero! Praticamente uma entrevista de emprego...
Há um tempo, estou procurando uma nova banda. Para isso, resolvi testar alguns dos mais conhecidos sites de classificados para músicos (CifraClub, Tô Sem banda, Território da Música) e para minha surpresa, aparentemente estes serviços funcionam. Posso até fazer a comparação deles com grandes sites de empregos, como Catho, Vagas.com.br, etc. A diferença é que nós temos a vantagem de demonstrar nosso trabalho através de vídeos, mp3 e diversas outras ferramentas multimídias disponíveis por aí. Mas aí vem o meu comentário de hoje: A Internet ajuda e muito na divulgação de nossos trabalhos, mas o que realmente vai endossar nosso é o "ao vivo", ou seja, sua performance frente aos integrantes, produtores ou contratantes.
E esta audição inicial, que nós músicos chamamos de "Ensaio Zero", remete ao velho ditado: A primeira impressão é a que fica! E é fato. E no ensaio zero que os outros integrantes irão analisar se sua performance é condizente com o perfil da banda, se sua técnica é realmente aquilo que eles ouviram no Myspace ou assistiram no YouTube (porque todos sabemos que uma vez em estúdio, com a tecnologia atual, qualquer um é um artista). Portanto, sempre que se preparar para ir à uma audição, esforce-se para vestir uma roupa legal, leve seu equipamento de confiança para não ser surpreendido por amplis de estúdio de qualidade duvidosa, por exemplo. Além disso, lembre-se que tudo o que você disser poderá e será usado contra você, portanto, não minta. Não invente bandas, shows ou técnicas que você não tem, porque na hora que você plugar seu instrumento, todos vão saber se você realmente é ou não é aquilo que disse.
Outras dicas básicas, mas que precisam ser ditas:
Lembre-se, embora menos formal que uma entrevista de emprego, o Ensaio Zero é uma primeira vista que outras pessoas têm de você, desta forma, tente ser o mais agradável possível para que aquelas pessoas que nunca o viram, possam vir a se interessar e integrá-lo ao projeto.
Até a próxima!
E esta audição inicial, que nós músicos chamamos de "Ensaio Zero", remete ao velho ditado: A primeira impressão é a que fica! E é fato. E no ensaio zero que os outros integrantes irão analisar se sua performance é condizente com o perfil da banda, se sua técnica é realmente aquilo que eles ouviram no Myspace ou assistiram no YouTube (porque todos sabemos que uma vez em estúdio, com a tecnologia atual, qualquer um é um artista). Portanto, sempre que se preparar para ir à uma audição, esforce-se para vestir uma roupa legal, leve seu equipamento de confiança para não ser surpreendido por amplis de estúdio de qualidade duvidosa, por exemplo. Além disso, lembre-se que tudo o que você disser poderá e será usado contra você, portanto, não minta. Não invente bandas, shows ou técnicas que você não tem, porque na hora que você plugar seu instrumento, todos vão saber se você realmente é ou não é aquilo que disse.
Outras dicas básicas, mas que precisam ser ditas:
• Não tente impressionar tanto, a ponto de se tornar o candidato chato.
• Não toque mais alto que o vocalista, se estiver fazendo teste para guitarrista, por exemplo.
• Não invente solos de 15 minutos se você está fazendo um teste em uma banda pop.
• Ouça o que os integrantes têm a dizer sobre a necessidade deles em relação ao músico que está entrando, isso pode te ajudar a criar uma estratégia na hora de se apresentar para eles.
• Claro e óbvio, estude as músicas do set list que foram definidas para o ensaio. Se você tem facilidade no improviso, domina escalas e acordes, pelo menos ouça as músicas para conhecer as dinâmicas dos artistas originais (gravações ao vivo ajudam na hora de você mostrar seu talento no ensaio também).
Lembre-se, embora menos formal que uma entrevista de emprego, o Ensaio Zero é uma primeira vista que outras pessoas têm de você, desta forma, tente ser o mais agradável possível para que aquelas pessoas que nunca o viram, possam vir a se interessar e integrá-lo ao projeto.
Até a próxima!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Boa forma não é só para atleta! Mãos, braços e tendões de músicos também agradecem!
Em época de olimpíadas, véspera de verão ou férias em geral, o que mais vemos é gente freqüentando as academias, praticando esportes e todo tipo de malhação para deixar o corpo em forma. Agora, o que muitos músicos esquecem é que a boa forma não é exigência da vaidade, é uma exigência da profissão.
Quando digo isso, minha preocupação é alertar todos que passam por este blog, que a boa forma dos músculos e tendões são essenciais para evitar a tendinite, mal que afeta milhares de músicos. Em geral, os músicos têm dois problemas com a falta de prática constante de exercícios para mãos e garganta (no caso dos vocalistas). A primeira é a tendinite, que é a lesão causada pelo esforço repetitivo de um determinado músculo. Guitarristas e pianistas sabem bem o que é isso, tendem a estudar horas e por falta de atenção, acabam passando muito tempo sem descansar as mãos. Conclusão, em pouco tempo os músculos começam a demonstrar cansaço e passam a doer constantemente. Por isso, existe uma série de regras para aquecimento muscular antes de começar os exercícios diários ou mesmo shows prolongados.
Outro problema da falta de exercícios constantes, no caso, exercícios práticos do instrumento, é a perda da técnica. Alguns têm mais facilidade para lidar com o afastamento de alguns dias de seu instrumento, mas a verdade é que a continuidade deste processo leva o músico a perder a versatilidade dos movimentos, pois, assim como um atleta que não treina, o músico que também necessita de seus músculos para extrair sons de seus instrumentos, acaba perdendo a resposta rápida das mãos em relação aos estímulos cerebrais e tem uma significante perda da velocidade ou habilidade.
Portanto, sem nenhum cunho científico, fica aqui meus recados para todos os músicos, profissionais ou não, que mantenham uma rotina diária ou mesmo semanal de estudos e exercícios, para que não percam sua técnica, seja ela em que estagio estiver e principalmente para não deixar os músculos relaxarem, a ponto de quando forem exigidos, não causarem lesões que comprometam a continuidade da carreira.
Até a próxima!
Quando digo isso, minha preocupação é alertar todos que passam por este blog, que a boa forma dos músculos e tendões são essenciais para evitar a tendinite, mal que afeta milhares de músicos. Em geral, os músicos têm dois problemas com a falta de prática constante de exercícios para mãos e garganta (no caso dos vocalistas). A primeira é a tendinite, que é a lesão causada pelo esforço repetitivo de um determinado músculo. Guitarristas e pianistas sabem bem o que é isso, tendem a estudar horas e por falta de atenção, acabam passando muito tempo sem descansar as mãos. Conclusão, em pouco tempo os músculos começam a demonstrar cansaço e passam a doer constantemente. Por isso, existe uma série de regras para aquecimento muscular antes de começar os exercícios diários ou mesmo shows prolongados.
Outro problema da falta de exercícios constantes, no caso, exercícios práticos do instrumento, é a perda da técnica. Alguns têm mais facilidade para lidar com o afastamento de alguns dias de seu instrumento, mas a verdade é que a continuidade deste processo leva o músico a perder a versatilidade dos movimentos, pois, assim como um atleta que não treina, o músico que também necessita de seus músculos para extrair sons de seus instrumentos, acaba perdendo a resposta rápida das mãos em relação aos estímulos cerebrais e tem uma significante perda da velocidade ou habilidade.
Portanto, sem nenhum cunho científico, fica aqui meus recados para todos os músicos, profissionais ou não, que mantenham uma rotina diária ou mesmo semanal de estudos e exercícios, para que não percam sua técnica, seja ela em que estagio estiver e principalmente para não deixar os músculos relaxarem, a ponto de quando forem exigidos, não causarem lesões que comprometam a continuidade da carreira.
Até a próxima!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Devo apenas tocar o que gosto ou devo gostar do que toco?
Eis uma questão que está presente na vida de todo profissional, seja ele músico ou não, desde o dia em que ele toma a decisão de seguir uma carreira.
Tocar o estilo musical que gosta ou se adaptar ao que o mercado quer ouvir... A resposta está longe de ser fácil e muito menos definitiva. Não pensem que este questionamento "ideológico" se limita ao ramo musical. Quantas vezes os profissionais do "mundo corporativo" não se deparam com dilemas como, "Sou formado em administração, mas queria mesmo ser publicitário", "Sou jornalista, mas será que se eu me especializar em fotografia meu leque de opções de trabalho irá aumentar?".
Vejam bem, em nenhum momento eu quero que o músico pense que exista uma imposição sobre o que é certo ou errado, cada caso tem de ser analisado individualmente. O mercado musical, a moda, fatores externos que ditam tendências influenciam muito na decisão de um profissional, mas não é verdade absoluta, por exemplo, que alguém que toque apenas um estilo musical ficará sem emprego. No fundo, suas opções serão extremamente limitadas e seu leque de trabalhos será influenciado pelos fatores acima citados, tendo momentos onde ele terá sua agenda lotada e em outros momentos, poderá fazer apenas pequenas participações.
É bom ressaltar que um determinado músico que opte por tocar um único estilo, deverá entender que ele deverá ser muito bom nesse estilo, uma vez que seu mercado de trabalho é limitado e a concorrência provavelmente será muito acirrada. Outros como ele, estarão disputando o mesmo posto naquela banda ou estarão enviando seus trabalhos para o mesmo produtor ou casa noturna. Já para um músico que tem no ecletismo a tônica de seu trabalho, a tarefa não é fácil, mas traz sem dúvidas, mais alternativas, pois, se o mercado de Hard Rock, por exemplo, não está em alta, este músico pode migrar para um estilo que tenha um mercado aquecido, como MPB, por exemplo. Claro que são estilo totalmente opostos, mas como profissional, o músico deve "pesar" os prós e os contras do caminho que quer tomar em sua carreira.
Para um exemplo prático, posso citar minha própria trajetória profissional. Quando me formei em Administração, eu já tinha uma queda por Marketing ou Propaganda, mas descobri isso no 3º ano da faculdade e optei por terminar o curso e me especializar depois. Antes de me formar, comecei a trabalhar em uma grande empresa do segmento de Agronegócio, onde eu era estagiário do departamento de Orçamentos e Custos (departamento financeiro). Devo admitir para vocês que nunca, nunca me imaginei fazendo algo rotineiro, onde eu acordasse sabendo o que ia fazer no expediente de trabalho, mas devo admitir também que o fato de fazer algo rotineiro, me ajudou a ter disciplina e isso me possibilitou galgar alguns degraus que irei comentar nos próximos posts. Mas para encurtar a história, mesmo não fazendo algo que fosse o meu ideal, aprendi a conviver com aquilo, criando novas ferramentas para fazer as velhas coisas que me ensinaram, aprendi a desenvolver uma nova rotina e com ela, gostar do que eu fazia. Isso foi bom para mim e foi bom para a empresa. A recompensa veio com uma visibilidade maior, onde acabei sendo promovido para o departamento de Marketing.
Isso teve um custo? Sim! Era complicado dormir pensando: “Quando será minha vez?”, “Quando conseguirei realizar meu sonho?”... Mas com paciência, acabei conquistando um dos meus sonhos e seguindo esta filosofia, um músico pode se adaptar ao mercado e carimbar seu nome em diversos estilos e se manter ativo nos altos e baixos de cada um deles. Mas... e aquele músico que eu comentei acima? Que toca um único estilo. Este músico está condicionado às idas e vindas do seu estilo? De certa forma sim, mas é bom lembrar que pra todos os estilos existe um público fiel e que não se importa com os modismos. Por isso volto a dizer, seja o melhor no que faz, isso vai te dar autonomia e longevidade em sua carreira, independente de seu estilo ou idade. Acredite em você, se esforce para melhorar a cada dia, corra atrás, faça contatos, mantenha-se atualizado e continue lendo esse blog...rs
Até a próxima!
Tocar o estilo musical que gosta ou se adaptar ao que o mercado quer ouvir... A resposta está longe de ser fácil e muito menos definitiva. Não pensem que este questionamento "ideológico" se limita ao ramo musical. Quantas vezes os profissionais do "mundo corporativo" não se deparam com dilemas como, "Sou formado em administração, mas queria mesmo ser publicitário", "Sou jornalista, mas será que se eu me especializar em fotografia meu leque de opções de trabalho irá aumentar?".
Vejam bem, em nenhum momento eu quero que o músico pense que exista uma imposição sobre o que é certo ou errado, cada caso tem de ser analisado individualmente. O mercado musical, a moda, fatores externos que ditam tendências influenciam muito na decisão de um profissional, mas não é verdade absoluta, por exemplo, que alguém que toque apenas um estilo musical ficará sem emprego. No fundo, suas opções serão extremamente limitadas e seu leque de trabalhos será influenciado pelos fatores acima citados, tendo momentos onde ele terá sua agenda lotada e em outros momentos, poderá fazer apenas pequenas participações.
É bom ressaltar que um determinado músico que opte por tocar um único estilo, deverá entender que ele deverá ser muito bom nesse estilo, uma vez que seu mercado de trabalho é limitado e a concorrência provavelmente será muito acirrada. Outros como ele, estarão disputando o mesmo posto naquela banda ou estarão enviando seus trabalhos para o mesmo produtor ou casa noturna. Já para um músico que tem no ecletismo a tônica de seu trabalho, a tarefa não é fácil, mas traz sem dúvidas, mais alternativas, pois, se o mercado de Hard Rock, por exemplo, não está em alta, este músico pode migrar para um estilo que tenha um mercado aquecido, como MPB, por exemplo. Claro que são estilo totalmente opostos, mas como profissional, o músico deve "pesar" os prós e os contras do caminho que quer tomar em sua carreira.
Para um exemplo prático, posso citar minha própria trajetória profissional. Quando me formei em Administração, eu já tinha uma queda por Marketing ou Propaganda, mas descobri isso no 3º ano da faculdade e optei por terminar o curso e me especializar depois. Antes de me formar, comecei a trabalhar em uma grande empresa do segmento de Agronegócio, onde eu era estagiário do departamento de Orçamentos e Custos (departamento financeiro). Devo admitir para vocês que nunca, nunca me imaginei fazendo algo rotineiro, onde eu acordasse sabendo o que ia fazer no expediente de trabalho, mas devo admitir também que o fato de fazer algo rotineiro, me ajudou a ter disciplina e isso me possibilitou galgar alguns degraus que irei comentar nos próximos posts. Mas para encurtar a história, mesmo não fazendo algo que fosse o meu ideal, aprendi a conviver com aquilo, criando novas ferramentas para fazer as velhas coisas que me ensinaram, aprendi a desenvolver uma nova rotina e com ela, gostar do que eu fazia. Isso foi bom para mim e foi bom para a empresa. A recompensa veio com uma visibilidade maior, onde acabei sendo promovido para o departamento de Marketing.
Isso teve um custo? Sim! Era complicado dormir pensando: “Quando será minha vez?”, “Quando conseguirei realizar meu sonho?”... Mas com paciência, acabei conquistando um dos meus sonhos e seguindo esta filosofia, um músico pode se adaptar ao mercado e carimbar seu nome em diversos estilos e se manter ativo nos altos e baixos de cada um deles. Mas... e aquele músico que eu comentei acima? Que toca um único estilo. Este músico está condicionado às idas e vindas do seu estilo? De certa forma sim, mas é bom lembrar que pra todos os estilos existe um público fiel e que não se importa com os modismos. Por isso volto a dizer, seja o melhor no que faz, isso vai te dar autonomia e longevidade em sua carreira, independente de seu estilo ou idade. Acredite em você, se esforce para melhorar a cada dia, corra atrás, faça contatos, mantenha-se atualizado e continue lendo esse blog...rs
Até a próxima!
Marcadores:
Carreira Musical,
Estilo Musical,
Mercado Musical
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
1, 2, 3 e...
A idéia inicial deste blog era megalomaníaca, com o título "Sou músico e agora?", deveria ser um livro de auto-ajuda para músicos, iniciantes ou não, e que tivessem em comum a paixão pela música e a idéia de viver de música.
Por ser músico amador, conhecer diversos músicos e ouvir destes, seus problemas vivenciados na profissão, pensei em compartilhar minha experiência de uma profissão formal, onde há mais de 15 anos sigo os padrões impostos pelas empresas em geral: Horário para entrar, horário para almoçar, reuniões, e-mails corporativos, hierarquias e tudo o mais que em primeiro plano pode assustar qualquer um que quer distância desta rotina diária, mas que no decorrer dos meus posts, irei mostrar que um músico e um profissional formal têm muitas características em comum.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que após algumas reflexões, descobri que existem 4 grandes grupos distintos dentro da carreira de músico:
Músico Amador: Aqueles que têm na música, seu hobbie, quase como o "futebol de sábado", onde os amigos encontram-se para tirar as músicas de seus artistas favoritos, vão à um estúdio ou na garagem do baterista, tocam em pequenas festas, no condomínio, etc.
Músico da Noite: Aqui, um profissional que tem um campo enorme de trabalho, podendo este campo ser ampliado caso o músico seja aberto a diversos estilos musicais, tenha bons relacionamentos, etc.
Side Man: O músico que acompanha outros músicos, bandas, artistas que estão na mídia... Nesta categoria enquadram-se geralmente, os verdadeiros profissionais, no sentido de administração da carreira, diciplina, marketing pessoal e tudo o mais que será reportado neste blog. Músicos que chegam a este patamar, são músicos que já têm o aval de grandes gravadoras, estão na agenda de produtores e possuem grande ecletismo ou mesmo um domínio muito grande em um estilo específico, o que lhes garante participações especiais e gravações em cd's de outros artistas.
Show Business: Aqui encontramos a verdadeira indústria da música. Nesta categoria, os músicos têm sua imagem cercada pela mídia. O que os diferencia das categorias anteriores é basicamente a exposição de sua imagem, uma vez que em qualquer uma das categorias citadas acima encontramos músicos bons e com qualidade.
O que eu gostaria de deixar claro neste blog é que o que postarei daqui para frente são dicas e cases direcionados aos grupos acima citados, cada um com sua característica e independente de estilo musical ou instrumento. Lembrando também que um músico pode e deve, na maioria das vezes, trafegar em mais de uma categoria. É o caso de um músico que ao mesmo tempo que é guitarrista de uma dupla sertaneja, também tem uma carreira solo para um público segmentado em um estilo totalmente diferente.
Bem, espero que este espaço sirva para contribuir com uma visão mais ampla de como um músico pode absorver as teorias modernas de administração e marketing em sua carreira e conquistar o que todos esperam; Sucesso!
Mas espere, o que é sucesso? Bom, isso é assunto para o próximo post... Até lá!
Por ser músico amador, conhecer diversos músicos e ouvir destes, seus problemas vivenciados na profissão, pensei em compartilhar minha experiência de uma profissão formal, onde há mais de 15 anos sigo os padrões impostos pelas empresas em geral: Horário para entrar, horário para almoçar, reuniões, e-mails corporativos, hierarquias e tudo o mais que em primeiro plano pode assustar qualquer um que quer distância desta rotina diária, mas que no decorrer dos meus posts, irei mostrar que um músico e um profissional formal têm muitas características em comum.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que após algumas reflexões, descobri que existem 4 grandes grupos distintos dentro da carreira de músico:
Músico Amador: Aqueles que têm na música, seu hobbie, quase como o "futebol de sábado", onde os amigos encontram-se para tirar as músicas de seus artistas favoritos, vão à um estúdio ou na garagem do baterista, tocam em pequenas festas, no condomínio, etc.
Músico da Noite: Aqui, um profissional que tem um campo enorme de trabalho, podendo este campo ser ampliado caso o músico seja aberto a diversos estilos musicais, tenha bons relacionamentos, etc.
Side Man: O músico que acompanha outros músicos, bandas, artistas que estão na mídia... Nesta categoria enquadram-se geralmente, os verdadeiros profissionais, no sentido de administração da carreira, diciplina, marketing pessoal e tudo o mais que será reportado neste blog. Músicos que chegam a este patamar, são músicos que já têm o aval de grandes gravadoras, estão na agenda de produtores e possuem grande ecletismo ou mesmo um domínio muito grande em um estilo específico, o que lhes garante participações especiais e gravações em cd's de outros artistas.
Show Business: Aqui encontramos a verdadeira indústria da música. Nesta categoria, os músicos têm sua imagem cercada pela mídia. O que os diferencia das categorias anteriores é basicamente a exposição de sua imagem, uma vez que em qualquer uma das categorias citadas acima encontramos músicos bons e com qualidade.
O que eu gostaria de deixar claro neste blog é que o que postarei daqui para frente são dicas e cases direcionados aos grupos acima citados, cada um com sua característica e independente de estilo musical ou instrumento. Lembrando também que um músico pode e deve, na maioria das vezes, trafegar em mais de uma categoria. É o caso de um músico que ao mesmo tempo que é guitarrista de uma dupla sertaneja, também tem uma carreira solo para um público segmentado em um estilo totalmente diferente.
Bem, espero que este espaço sirva para contribuir com uma visão mais ampla de como um músico pode absorver as teorias modernas de administração e marketing em sua carreira e conquistar o que todos esperam; Sucesso!
Mas espere, o que é sucesso? Bom, isso é assunto para o próximo post... Até lá!
Assinar:
Postagens (Atom)
